E aí jogadores!?

Continuando com o nosso programa de artigos feitos por leitores, publicamos um review do game Xenoblade X, do Wii U.

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Texto de Antônio Nascimento

Introdução

Xenoblade Chronicles X, lançado em Dezembro de 2015 para o Wii U, é o mais recente título da Monolith Soft e foi dirigido por Tetsuya Takahashi, mais conhecido pelos icônicos Xenogears (Playstation 1) e Xenoblade Chronicles (Wii/3DS), ambos aclamados por seus sistemas de batalha e histórias recheadas de referências filosóficas, cultura pop e reviravoltas memoráveis.

No jogo, você é um dos poucos humanos sobreviventes que conseguiu escapar da Terra em enormes naves espaciais antes que o planeta fosse destruído durante uma guerra entre duas raças alienígenas.

O “destino” faz com que a nave que você ocupava caia no planeta Mira e é aí que a aventura se desenrola. Contudo, diferentemente dos títulos já mencionados da antológica série Xeno, não espere uma narrativa linear, uma história complexa e nem memorável.

Personagens

Talvez a maior surpresa para os jogadores de longa data da série seja o fato de que em Xenoblade X o jogador não assume o papel de um herói totalmente desenvolvido por seus escritores. Assim como ocorre em jogos como Mass Effect e Dragon Age, o jogador customiza fisicamente o protagonista nos primeiros minutos da história e, durante o resto do jogo, o mesmo deve fazer escolhas de diálogos que ajudam a criar as mais diversas situações, resultando no surgimentos de diferentes missões e aquisição de novos companheiros para o grupo de personagens protagonistas. Contudo, diferente dos famosos títulos da BioWare, em Xenoblade X, as escolhas do protagonista “mudo” possuem pouco/nenhum impacto significativo nos acontecimentos principais. Inicialmente, essa escolha de game design pode não parecer um problema, mas acaba prejudicando qualquer processo de desenvolvimento de uma ligação emocional entre jogador e personagem controlado.

A história fraca e narrativa simples têm consequências negativas quanto ao desenvolvimento dos outros personagens do grupo. Talvez à exceção de Lin e Elma (que possui a trama mais interessante de todas) fica difícil importar-se com os eventos que cercam os outros e alguns deles ficarão completamente esquecidos por você, até que apareçam na tela em alguma cena aleatória.

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Personagem em busca de ação – Nintendo World.

Ambientação

Não há melhor expressão para descrever o planeta Mira senão “incrivelmente belo!”.

Cada um dos 5 territórios que compõem o planeta alienígena tem características únicas e em muitos momentos você se pegará apenas admirando toda a competência da equipe de direção de arte.

Montanhas, desertos, oceanos, lagos, flores gigantes e vales, são alguns dos elementos que prenderão a sua atenção mesmo após as mais de 50 horas da campanha principal.

Mira é gigante e, quando você menos esperar, se deparará com uma mensagem de “novo território descoberto” na tela. Aliás, a exploração do planeta é encorajada com o acúmulo de pontos de experiência e outras recompensas para cada novo ambiente visitado.

Xenoblade X também leva o termo open-world a sério. Todo o planeta, incluindo cavernas e outras passagens secretas, pode ser visitado sem que o jogador veja uma única tela de loading (exceto ao se usar fast-travel ou adentrar o “quartel-general”) dos personagens principais.

A exploração, inclusive, não é realizada apenas horizontalmente. Do precipício mais fundo, ao pico mais alto, “se você vê, então você pode alcançar”.

Sistema de Batalha

Em meio a paisagens hipnotizantes, os inimigos em Xenoblade X se movimentam por seus habitat de forma estrategicamente previsível, de acordo com o momento do dia (madrugada, manhã, tarde ou noite). Essa previsibilidade permite ao jogador se acostumar com a rotina dos seres vivos no planeta e então planejar seus ataques para aumentar suas chances de sucesso na investida.

Em Mira, criaturas naturalmente hostis e dóceis convivem lado a lado, dificultando ações ofensivas aleatórias por parte do jogador (atingir uma criatura forte e dócil enquanto ataca um oponente pode elevar significativamente a dificuldade da batalha em alguns segundos).

O sistema de batalha, por sua vez, assim como em Xenoblade Chronicles (Wii/3DS), é a jóia da coroa deste título. Batalhas em turno, com elementos que geram uma sensação de tempo real, exigem atenção, destreza, estratégia e muito planejamento do jogador.

Durante as lutas, o jogador deve alternar entre o uso de armas de combate próximo e à distância, enquanto espera o momento certo para executar ações especiais (chamadas de Arts) capazes de provocar maiores danos e/ou atribuir efeitos de status duradouros benéficos e maléficos em companheiros e inimigos, respectivamente.

Após as primeiras 15-20 horas de jogo, o jogador tem acesso ao robôs gigantes chamados de Skell, que injetam um novo fôlego não apenas no quesito exploração, mas também ajudam a diversificar as estratégias de batalha. Os personagens podem entrar e desembarcar dos Skell a qualquer instante, ao mesmo tempo, ou individualmente, o que permite surpreender o inimigo das mais diversas formas e adiar a sensação da repetitividade dos confrontos.

O único ponto negativo em relação ao sistema de batalha está na falta de informação dentro do jogo sobre o significado e funcionamento de pequenos detalhes, como alguns dos atributos dos personagens e ações especiais (como overdrive, por exemplo, que é uma espécie de “super ataquecoletivo). Embora algumas dessas informações possam ser encontradas no manual digital acessível pelo menu do jogo, é muito frustrante ter que parar a aventura para “estudar” esses elementos.

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Durante uma batalha – Nintendo World

Trilha Sonora

A trilha sonora que embala os momentos mais comuns e épicos de Xenoblade X é viciante. Ainda que possa causar uma estranheza inicial, devido à falta de iniciativas similares no mercado, logo você estará tentando cantarolar as músicas sozinho ou mesmo na tentativa de acompanhar a trilha pop/rock/eletrônica enquanto joga (atenção especial ao tema Black Tar).

Conclusão

Bonito, complexo e, principalmente, ENORME, Xenoblade X é capaz de derrubar o queixo até dos fãs mais radicais dos consoles concorrentes.

Apesar de pecar na história fraca e personagens pouco carismáticos, o jogo executa a façanha de permanecer divertido por mais de 100 horas, mesmo desconsiderando o irrelevante modo cooperativo de missões on-line.

Além do mais, o que Xenoblade X tem de simples em seu enredo é compensado por uma ambientação incrível, uma trilha sonora viciante e um sistema de batalha cuja curva de aprendizado habita a fronteira entre o fácil e o extremamente complexo.

Curtam um vídeo da Nintendo que mostra bem a grandiosidade do título:

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